Mas um dia o Príncipe recebera uma semente e cuidara dela, mesmo temendo que fosse outro Baobá. E, para a sua surpresa, ao invés de crescer outra árvore que destruiria seu mundo nascera uma bela rosa capaz de perfumar aquele ambiente.
O primeiro amor do principezinho.
Ocorre que não se tratava de uma flor modesta e vez ou outra, especialmente quando se sentia constrangida, magoava o pequeno Príncipe. Isso o fez fugir de seu mundo e visitar outros planetas.
"Não a devia ter escutado (...) não se deve nunca escutar as flores. Basta olhá-las, aspirar o perfume. A minha embalsamava o planeta, mas eu não me contentava com isso (...) Não soube compreender coisa alguma! Devia tê-la julgado pelos atos, não pelas palavras. Ela me perfumava, me iluminava... Não devia jamais ter fugido. Devia ter-lhe adivinhado a ternura sob os seus pobres ardis. São tão contraditórias as flores! Mas eu era jovem demais para saber amar."
Como eu dizia, o principezinho fugiu e conheceu outros mundos. O planeta de um monarca, o qual pensava reinar sobre tudo; o planeta do vaidoso, que apenas se importava se lhe tinham apreço; o planeta do bêbado, que bebia desgraçadamente para esquecer que não passava de um bêbado; o planeta do homem de negócios, que achava possuir as estrelas; o planeta do acendedor de lampiões...
"Talvez esse homem seja mesmo absurdo. No entanto, é menos absurdo que o rei, que o vaidoso, que o homem de negócios, que o beberrão. Seu trabalho ao menos tem um sentido. Quando acende o lampião, é como se fizesse nascer mais uma estrela, mais uma flor. Quando o apaga, porém, é estrela ou flor que adormecem. É uma ocupação bonita. E é útil, porque é bonita."
...O planeta do geógrafo e, por último, a Terra.

Em se tratando da Terra há dois pontos muito interessante no livro. O primeiro é a conversa que o Pequeno Príncipe tem com o autor depois de perguntar se carneiros comiam flores. O autor respondera que sim, mesmo elas tendo espinhos, e demonstrara não se importar se as flores podem ou não se defender. Então o Príncipe contrapora usando o seguinte discurso:
" - E se eu, por minha vez, conheço uma flor única no mundo, que só existe no meu planeta, e que um belo dia um carneirinho pode liquidar num só golpe, sem avaliar o que faz. Isto não tem importância?!
Corou um pouco, e continuou em seguida:
- Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla. Ele pensa: 'Minha flor está lá, n'algum lugar...' Mas se o carneiro come a flor, é para mim, bruscamente, como se todas as estrelas se apagassem! E isto não tem importância!"
A outra passagem é a famosa lição da raposa, que ensina ao Príncipe o que é cativar.

"Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música."
É a lição da raposa que serviu para amparar o principezinho sobre a real importância de sua rosa. Ele aprende de forma doce a importância de cativar e ser cativado, pois tudo o que parecia ser tão igual passa a ser único a partir do momento que se cria laços. Foi o que o Príncipe confessou ao rever as inúmeras rosas na Terra:
"Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela á agora única no mundo."
Em suma, a mencionada obra relata da forma mais fantástica e marcante o efeito da presença das pessoas sobre o nosso mundo particular. É o cerne da visão de Antoine de Saint-Exupéry.